Entrevista com Jaime Ratón: “O negócio da lavagem exige hoje fiabilidade, conectividade e estrutura industrial”

Jaime Ratón em uma entrevista para Estaciones de Servicio

O setor da lavagem de veículos atravessa uma fase de transformação marcada pela profissionalização dos operadores, pela integração tecnológica e pela procura de novas fontes de rentabilidade nas estações de serviço. Num contexto em que o modelo tradicional de receitas está a evoluir e a concorrência se intensifica, a lavagem afirma-se como uma unidade de negócio estratégica, onde a fiabilidade operacional, a conectividade e a otimização de custos são fatores determinantes.

Adrián Megías Paterna

Neste contexto atua a Washnet, uma empresa que reforçou o seu posicionamento no mercado após um exercício em que mais do que duplicou o seu volume de atividade e consolidou a sua estrutura industrial. Com um portfólio que inclui centros de lavagem, soluções modulares e uma sólida base em peças de reposição e serviço técnico, a empresa aposta na combinação de fabrico próprio, tecnologia integrada e uma estrutura operacional capaz de acompanhar tanto grandes operadores como empresários independentes nos seus processos de crescimento e modernização.

À frente desta nova etapa está Jaime Ratón, atualmente diretor-geral da empresa, que assume o desafio de impulsionar uma evolução estruturada do negócio. Nesta entrevista, apresenta as linhas estratégicas que irão definir o seu plano de ação — reforço industrial, conectividade e serviço —, analisa os principais fatores de rentabilidade dos centros de lavagem e aprofunda o papel que a sustentabilidade, a estandardização e a expansão internacional terão no futuro da Washnet.

Que expectativas tem para esta nova etapa na Washnet e o que acredita poder aportar ao desenvolvimento do negócio no contexto atual do setor da lavagem de veículos?

Encaro esta etapa com a ambição de impulsionar uma evolução na forma como entendemos o negócio da lavagem. O mercado é cada vez mais exigente e já não basta fabricar equipamentos: é necessário dispor de estrutura, capacidade de execução à medida que os operadores crescem e soluções tecnológicas integradas.

Venho de ambientes industriais altamente competitivos e complexos, onde aprendi que a chave não é apenas fazer um bom produto, mas construir um sistema sólido por trás, onde os processos e a disciplina operacional fazem a diferença. É essa abordagem que estamos a levar para a Washnet, com o objetivo de a transformar num fabricante escalável, capaz de combinar fiabilidade, agilidade e um serviço estruturado, tanto para grandes operadores como para empresários independentes.

“Na Washnet, trabalhamos com este enfoque: minimizar incidências e assegurar a máxima disponibilidade de peças de reposição.”

Olhando para este ano, quais serão as principais linhas de atuação que irão marcar o seu plano como diretor-geral, tanto em termos de crescimento como de reforço da operação, serviço ao cliente e proposta de valor?

Este ano representa uma fase clara de crescimento e investimento, mas com um forte foco na consolidação de uma base industrial sólida que nos permita escalar com garantias.

Estamos a trabalhar em três eixos principais. Primeiro, reforçar a estrutura e a capacidade produtiva: investir em processos e planeamento para assumir projetos de maior dimensão sem perder agilidade.

Segundo, continuar a elevar o nosso padrão tecnológico. A conectividade já era um fator diferenciador para nós, e estamos agora a avançar para soluções mais integradas e monitorizadas que permitam ao operador ter maior controlo e antecipar incidências.

E terceiro, elevar o nível de serviço. Estamos a reforçar o nosso Serviço de Assistência Técnica (SAT) e os procedimentos internos para reduzir os tempos de resposta e minimizar paragens, porque a rentabilidade dos nossos clientes depende da continuidade operacional.

Falando da empresa, que resultados alcançou a Washnet no último exercício completo? (em termos de atividade, evolução da procura e principais marcos comerciais)

O último exercício foi particularmente relevante para a Washnet. Mais do que duplicámos o nosso volume de atividade em relação ao ano anterior, com crescimento em todas as áreas de negócio: centros de lavagem, distribuição e serviço técnico.

Este avanço reflete a confiança dos nossos clientes e o compromisso da nossa equipa, que assumiu este crescimento com profissionalismo e capacidade de execução. Além disso, conquistámos novos concursos com operadores relevantes, reforçando a nossa posição no mercado e impulsionando o desenvolvimento comercial a curto e médio prazo.

Para além dos números, o ano foi fundamental para reforçar a nossa estrutura e preparar a empresa para uma fase de expansão mais exigente.

Com um portfólio que abrange desde centros de lavagem e lavandarias móveis até contentores personalizados e lojas inteligentes, que tendências considera hoje mais relevantes no setor da lavagem e dos serviços automatizados?

O setor está a mudar. A lavagem já não é vista como um complemento, mas como uma parte essencial do negócio da estação de serviço. Num contexto em que o modelo tradicional está a evoluir, contar com serviços que gerem tráfego e proporcionem estabilidade torna-se cada vez mais relevante.

Na Washnet, e em linha com a visão do grupo, entendemos a estação como um espaço onde se combinam diferentes serviços. Centros de lavagem, soluções modulares ou lojas inteligentes respondem a essa lógica: oferecer mais opções ao cliente num único ponto e tirar maior partido de cada localização.

A nossa resposta a esta evolução passa por continuar a reforçar a conectividade, a modularidade e a qualidade das nossas soluções, garantindo que sejam fáceis de implementar, gerir e adaptar a diferentes formatos.

Como empresa pioneira no fornecimento de peças de reposição para o setor do carwash, como construiu a Washnet uma proposta de valor integral baseada em serviço, engenharia e suporte contínuo?

Fomos pioneiros na distribuição de peças de reposição para profissionais do carwash, e essa fase permitiu-nos compreender verdadeiramente o que um operador necessita: disponibilidade imediata, compatibilidade técnica, rapidez de resposta e, acima de tudo, continuidade operacional.

Esta experiência marcou a nossa forma de conceber e fabricar. Hoje, desenvolvemos os nossos equipamentos pensando desde o início no seu ciclo de vida completo: facilidade de manutenção, estandardização de componentes e uma estrutura de peças e serviço técnico totalmente alinhada.

Para nós, produto e serviço andam de mãos dadas. Não se trata apenas de instalar um centro, mas de acompanhá-lo ao longo de toda a sua vida útil.

Washnet se ha trasladado a unas nuevas instalaciones corporativas en Les Franqueses del Vallés, Barcelona, con una planta de fabricación más grande y moderna, que cuenta con una superficie total de 9.600m2.

A Washnet mudou-se para novas instalações corporativas em Les Franqueses del Vallès, com uma unidade de fabrico maior e mais moderna, que conta com uma superfície total de 9.600 m².

Qual é hoje o peso das estações de serviço no vosso mix (operadores multi-energia, independentes, franchisados)? E que tipo de projetos são mais comuns: novas construções, reformas, ampliações, reposicionamento de imagem, etc.?

As estações de serviço são hoje um segmento muito importante para nós, tanto em grandes operadores como em independentes e franchisados que querem reforçar a lavagem como parte chave do seu negócio.

En cuanto a proyectos, ahora mismo predominan las obras nuevas, sobre todo en operadores que están creciendo y ampliando su red o incorporando el lavado como un servicio estructural dentro de la estación.

Ao mesmo tempo, estamos a observar cada vez mais reformas e modernizações de instalações existentes. Muitos operadores estão a atualizar os seus centros para melhorar a imagem, a eficiência e o desempenho, o que demonstra que o setor está a dar mais um passo rumo à profissionalização.

Que papel irão desempenhar a sustentabilidade e a tecnologia nos novos projetos da Washnet Factory?

La sostenibilidad y la tecnología forman parte de nuestros nuevos proyectos desde el inicio. No hablamos solo de reducir consumo de agua o energía en la instalación, sino de cómo diseñamos, cómo fabricamos y con qué proveedores trabajamos.

Creemos que la sostenibilidad real implica revisar todo el proceso y asumir una responsabilidad compartida en toda la cadena de valor, no solo en el producto final.

Em termos tecnológicos, a conectividade e a monitorização permitem-nos otimizar consumos, antecipar incidências e facilitar a gestão diária do centro.

O que procura hoje uma estação de serviço quando investe em lavagem: diferenciação visual, robustez, rapidez de implementação, manutenção, redução de paragens, marketing local, etc.?

Hoje, as estações de serviço procuram sobretudo tranquilidade e rentabilidade. Querem equipamentos robustos, que funcionem sem surpresas e que minimizem paragens, porque cada incidência afeta diretamente as receitas e a imagem.

A rapidez de implementação também é fundamental, já que os prazos são geralmente muito apertados. E, claro, a área de lavagem deve integrar-se com a imagem da estação e ser fácil de gerir e manter no dia a dia.

No fundo, o operador não está apenas a investir numa máquina, mas num serviço que deve funcionar de forma constante e acrescentar valor ao conjunto da estação.

Após a adjudicação para prestar serviço à Moeve em Espanha e Portugal, o que representa isto em termos de volume, exigência operacional e estandardização? Que aprendizagens trouxe para escalar com outros grandes operadores?

Trabalhar com a Moeve em Espanha e Portugal representou um salto importante em volume e, sobretudo, em nível de exigência. Um operador desta dimensão exige planeamento, coordenação e uma forma de trabalhar muito estruturada.

A conectividade das nossas instalações foi um fator diferenciador, e este projeto permitiu-nos continuar a melhorá-la e levá-la a um nível superior.

Na minha experiência, tanto aqui como na minha etapa anterior no setor automóvel, trabalhar com grandes contas ensina algo muito claro: precisam de fornecedores estruturados… mas também ágeis. Quando querem crescer rapidamente, não podem esperar. E é aí que a organização por detrás do negócio é verdadeiramente posta à prova.

A lição é simples: para escalar, não basta ter um bom produto — é preciso uma equipa, processos e tecnologia que acompanhem esse crescimento.

Neste contexto, e tendo em conta a presença da Washnet em feiras internacionais como UNITI Expo e expoMecânica, existem planos concretos para reforçar ou expandir a presença internacional da empresa?

A nossa presença em feiras como a UNITI Expo não é algo pontual. Faz parte de uma estratégia clara de crescimento fora de Espanha, entendida como um processo gradual e estruturado, e não como uma expansão improvisada.

Estamos particularmente interessados em mercados europeus onde os operadores valorizem a qualidade industrial, a conectividade e a fiabilidade. É aí que o nosso modelo melhor se adapta.

Preferimos crescer através de parcerias locais sólidas e projetos bem estruturados, em vez de o fazer rapidamente. Queremos expandir-nos, sim, mas sempre com coerência e capacidade real de execução.

Para terminar, por que acredita que este é um bom momento para apostar na lavagem de veículos e o que pode a Washnet oferecer a quem esteja a considerar dar esse passo?

É um bom momento porque a lavagem se consolidou como um negócio estável e recorrente dentro das estações de serviço. Num contexto em que o modelo tradicional está a mudar, contar com serviços que gerem tráfego e margens consistentes torna-se cada vez mais importante.

No nosso caso, falamos também com base na experiência. Há anos que desenhamos e fabricamos centros de lavagem, e fazemos parte de um grupo que também opera este tipo de estações. Isso dá-nos uma visão muito real do que funciona: fiabilidade, controlo de custos e continuidade operacional no dia a dia.

A quem esteja a considerar dar esse passo, podemos oferecer exatamente isso: experiência prática, fabrico próprio, tecnologia integrada e um serviço que acompanha todo o processo. Sabemos como desenhar um centro, mas também como ele deve funcionar diariamente para que o negócio seja rentável.

Exemplo de conceção, fabrico e instalação pela Washnet para Elefante Azul e Autonetoil em Ibiza.